Eu vejo muita gente perdendo tempo com automação de tarefas pequenas, pra não dizer inúteis! Só pra dizer, de uma forma ou outra, que "está usando IA". O custo real de uma empresa está no meio do caminho. A falha de entendimento entre o técnico e o gestor mata o lucro. Eu acredito que a IA deve funcionar como uma ponte de tradução entre esses mundos.
Tradução como alavanca
Para Sangeet Paul Choudary em seu artigo na Harvard Business Review o segredo é a tradução da comunicação entre níveis hierárquicos. Reduzir custos de previsão ajuda. Diminuir custos de criação também tem valor. O impacto financeiro pesado vem da queda nos custos de coordenação entre os diversos times de uma empresa.
Eu já vi projetos pararem por falta de linguagem comum. O desenvolvedor fala em latência e o C-Level foca no churn. Pela T2S já acompanhei situações em que squads atuando com logística começa a desenvolver coisas sem antes entender com clareza o processo e, principalmente, situações comuns mas que corriqueiramente são expressadas com termos diferentes dependendo do nível em que a comunicação acontece. A IA consegue traduzir requisitos técnicos para metas de negócio rapidamente, para qualquer nível. Chama abacaxi de abacaxi, sempre (quando a comunicação ocorre na mesma camada). Mas se precisar se referir ao abacaxi como pineapple, só pra dar aquela "enfeitada" que muita gente gosta (e defente), o fará sem problemas e sem perder a relação entre os assuntos. Isso remove o atrito que antes levava semanas de reuniões improdutivas. Parece besteira, até você presenciar um CTO se retorcer ao ouvir churn, LTV, NRR, CAC, TTV (e por aí vai) numa reunião com o time de estratégia.
Inércia da liderança
Jazz Croft e seus colegas mostram que líderes sêniores ainda travam na execução tecnológica. A pesquisa publicada na HBR indica que a IA saiu da fase de testes. Ela agora molda as decisões diárias das companhias. A pressão por resultados gera paralisia em quem precisa decidir o próximo passo.
Muitos gestores têm medo de errar a mão na escolha das ferramentas. Eles tentam implementar soluções complexas sem arrumar a casa primeiro. A liderança precisa focar no fluxo de trabalho. Não adianta ter um bot se o processo de aprovação continua manual. A tecnologia serve para expor gargalos que o time prefere ignorar faz tempo.
Fim do ruído
A coordenação via IA permite uma visão clara do todo. Ela conecta dados isolados sem precisar de planilhas infinitas. O profissional sênior ganha tempo para pensar no que realmente importa. Ele para de apagar incêndios causados por má comunicação entre as áreas técnica e comercial.
Muitas vezes o erro está no medo da transparência total. No começo da minha carreira eu achava que tecnologia resolvia problemas de cultura. Eu estava errado. A IA apenas acelera o que já existe no seu time. Se a comunicação é ruim a ferramenta vai acelerar o caos. Precisamos usar esses modelos para alinhar expectativas e reduzir a burocracia invisível que trava a inovação de verdade.